Organizando a Torre de Babel

Crédito da imagem: Google Art Project
“The Tower of Babel” – Pieter Bruegel the Elder – Crédito da imagem: Google Art Project

“De HEERE is mijn Herder, mij zal niets ontbreken”. Entendeu alguma coisa? Nem eu! (quer dizer, mais ou menos… não entendo a língua, mas, com a ajuda da Internet e do Google Translator, posso dizer que se trata do conhecido Salmo 23:1, só que em holandês!).

Holandês, inglês, chinês, alemão, árabe… Tantas línguas, e tão diferentes! Ao mesmo tempo, é impossível não notar a semelhança que muitos idiomas possuem (compare o português com o espanhol ou o italiano, por exemplo). Para nos ajudar a entender um pouco dessa miscelânea linguística, neste post veremos as principais famílias de idiomas do mundo. Antes disso, porém, vejamos como essa “bagunça” começou.

No princípio dos tempos, a terra era de uma mesma língua e de uma mesma fala (Gn 11:1). Porém, os homens tiveram a ideia de construir uma torre alta para enaltecimento próprio (e, segundo alguns teólogos, também para dedicação aos deuses da Mesopotâmia). A partilha de uma visão única, comunicada por uma língua comum, era tudo o que eles precisavam para levar a cabo o projeto. Foi nesse momento que Deus interveio, confundindo a sua língua e espalhando-os sobre a face de toda a terra (Gn 11:7, 8). O empreendimento ousado ficou conhecida como “Torre de Babel” (“confusão”, no hebraico): “Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra.” (Gn 11:9).

Como consequência desse episódio, acrescido de diversos séculos de história, temos hoje mais de 6500 línguas no mundo! São diferentes alfabetos, estruturas gramaticais, pronúncia,  dialetos, léxicos… Enfim, é mesmo uma verdadeira salada linguística! O mais interessante é que muitas das línguas existentes hoje possuem relações umas com as outras, pois se originaram de línguas ancestrais comuns. Essas relações nos permitem agrupar os idiomas em “famílias”, facilitando seu estudo, conforme ilustra o esquema abaixo.

untitled-diagram

O esquema exibido é bastante simplificado (do ponto de vista linguístico), visando fornecer apenas uma visão macro de alguns dos grandes grupos de línguas, a saber:

  • Indo-europeias: Inclui as principais línguas da Europa. Este é o grupo com maior número de falantes nativos das famílias linguísticas conhecidas (mais de 3 bilhões de falantes). Existe bastante variação dentro deste grupo, com diversas subclassificações. No diagrama, por exemplo, exibimos o subgrupo das línguas germânicas, que por sua vez se subdivide em germânicas do oeste (alemão, holandês e inglês) e germânicas do norte (as da Escandinávia: dinamarquês, norueguês e sueco; e também o islandês). Neste grupo se encontra a família das línguas românicas, originárias do Latim, como o nosso português, o espanhol, o italiano e o francês. O subgrupo das línguas eslavas reúne principalmente as línguas do Leste Europeu (muitas das nações que faziam parte da antiga União Soviética).
  • Afro-asiáticas: Agrupa as línguas faladas no norte e no oriente-leste da África, na região do Sahel e sudoeste da Ásia. Neste grupo estão o árabe e o hebraico, por exemplo.
  • Sino-tibetanas:  Inclui os idiomas do extremo oriente, como o chinês, o tibetano e o birmanês. Uma característica comum a idiomas dessa família é o fato de serem tonais (isto é, a semântica varia em função do tom de pronúncia), sem flexões de palavras e monossilábicos.
  • Nígero-congolesas: Reúne, basicamente, as línguas da África subsaariana.
  • Austronêsias: Contém línguas faladas nas ilhas do sudeste asiático, do Pacífico, ilha de Madagascar… É uma das maiores famílias linguísticas do mundo em número de línguas (1244, de acordo com o Ethnologue).
  • Urálicas: Agrupa cerca de vinte idiomas, sendo os principais o húngaro, o finlandês e o estônio (ou estoniano). Acredita-se que tenham tido origem numa língua comum falada na região dos Montes Urais, uma cordilheira na Rússia que marca a fronteira entre a Europa e a Ásia. Repare que o finlandês, por estar neste grupo, é totalmente diferente das línguas dos demais países nórdicos.
  • Línguas isoladas: Este é o grupo das línguas “órfãs”, isto é, idiomas sem comprovado parentesco com outros, não pertencendo a nenhum tronco linguístico. Entre as mais conhecidas, estão o basco (Espanha), o coreano e o japonês (existe uma certa controvérsia em relação ao japonês, que tem sido reclassificado por alguns linguistas como pertencente a uma família própria com algumas outras línguas da região).

Línguas agrupadas numa mesma família (ou subgrupo) normalmente (mas não obrigatoriamente) possuem algum nível do que se chama de inteligibilidade mútua. Essa característica está relacionada ao grau de facilidade que um falante de uma língua pertencente a um grupo tem para entender outra língua do mesmo grupo sem grandes esforços ou estudos. Por exemplo, uma pessoa pode entender muita coisa de um texto em espanhol se souber português (ambas as línguas estão no mesmo grupo de línguas românicas). Já o inglês moderno e o holandês, apesar de estarem no mesmo subgrupo de línguas germânicas, tem um nível de inteligibilidade quase inexistente.

Obviamente, as línguas não vivem isoladamente umas das outras (ainda mais na era pós-moderna). Com o passar do tempo, é comum um idioma receber aportes de palavras de outro idioma (empréstimo linguístico). Um caso interessante é o do próprio inglês, que, apesar de ser classificado como uma língua germânica, possui em seu léxico cerca de 60% de palavras de origem latina (provenientes do latim e do francês).

Bom, depois de toda essa diversidade, só nós resta terminar este post com a gloriosa cena futura descrita em Apocalipse 7:9, 10:

Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos;
e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação.

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