Para este ano, alegria! :)

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Fonte da imagem: http://bit.ly/2iBnmdL

Ano passado, tive o prazer de ler o livro “Pollyanna”, de Eleanor Porter. Trata-se de um romance clássico da literatura infanto-juvenil que fez muito sucesso nos Estados Unidos quando foi publicado, em 1913. A história gira em torno de uma cativante menina de 11 anos, que contagia a todos com a sua maneira super-entusiasmada de lidar com os problemas da vida. Seu segredo estava num “jogo” que ela havia aprendido com o pai, o “Jogo do Contente”. O objetivo do jogo é muito simples: procurar motivos para se alegrar em toda e qualquer situação da vida. Soa familiar? Se você é cristão, provavelmente já se deparou com este verso escrito pelo apóstolo Paulo: “Regozijai-vos sempre.” (1Ts 5:16).

De fato, a inspiração para o “Jogo do Contente” veio diretamente das Escrituras. O pai da menina notou que a Bíblia continha um sem-número de versículos relacionados a “alegria”, “regozijo”, “contentamento” e correlatos. Numa busca rápida, verifiquei 238 ocorrências só para formas do verbo “regozijar” (rejoice, em inglês) e 340 para “alegria”/”alegre” (joy e glad, em inglês). Sem dúvida, podemos ver que a alegria faz parte de Deus e, certamente, é algo que Ele tem para seus filhos!

Infelizmente, muitos ainda veem como irreconciliáveis o caráter cristão com uma vida de alegria e regozijo. Em muitos círculos, ainda persiste o estereotipo de que “quanto mais triste e carrancuda uma pessoa, mais ‘santa’ e espiritual ela é.” Nada poderia estar mais longe da verdade!

Além do próprio senso de satisfação, a alegria tem uma capacidade enorme de alavancar o potencial que temos em todas as áreas: na vida espiritual, pois o fruto do Espírito é “amor, alegria, paz…” (Gl 5:22a); na família, pois quem está feliz cuida melhor dos seus; na saúde, pois “o coração alegre é bom remédio” (Pv 17:22); no trabalho, pois se tem mais disposição e criatividade para fazer “com todas as forças aquilo que vier à mão para realizar” (Ec 9:10). “Comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem.” (Sl 128:2).

É útil fazermos uma distinção entre os conceitos de “alegria” e “felicidade”. A primeira está relacionada a um senso mais profundo e estável de paz e satisfação que independe das circunstâncias da vida, ao passo que a última está mais associada a sentimentos fugazes de prazer.

Acredito que não seja nada sadio viver para perseguir algo tão efêmero e volátil como a felicidade. Porém, creio que viver níveis maiores e mais constantes de alegria não só é sadio, mas também desejável. Mais ainda, é possível experimentar alegria num momento infeliz. Para isso, precisamos estar conectados com Deus e cultivar em nossos corações duas virtudes: gratidão e confiança.

A gratidão fala do que Deus já fez em nossas vidas. A confiança aponta para o que Ele prometeu fazer. Uma fala do passado, a outra, do futuro. Uma fala de Sua bondade, a outra, de Sua fidelidade. Uma fala de realização, a outra, de esperança. Uma fala de reconhecimento, a outra, de expectação. Uma fala de louvor, a outra, de adoração. Uma fala de recordação, a outra, de concepção. Uma fala das maravilhas feitas no Egito, a outra, da terra que mana leite e mel. Uma fala de testemunho, a outra, de fé.

Que possamos cultivar essas virtudes no novo ano para que sejamos pessoas que transbordem de alegria, tanto nos dias bons quanto nos dias maus. Como a menina Pollyanna costumava dizer: “Nos momentos mais complicados da vida, é que o Jogo do Contente se torna mais difícil e interessante”. O apóstolo Paulo, por certo, foi um ótimo “jogador”. Mesmo preso, ele foi enfático em suas palavras: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.” (Fp 4:4 – ênfase minha).

É nas situações mais árduas da vida que devemos olhar para o alto e nos alegrarmos na esperança, sermos pacientes na tribulação e, na oração, perseverantes (Rm 12:12)! “Portanto, não vos entristeçais; porque a alegria do Senhor é a vossa força!” (Ne 8:10)

Um 2017 de muita alegria para todos nós!  🙂

Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que nos regozijemos e nos alegremos todos os nossos dias.” (Sl 90:14)